Em algum momento, a arquitetura brasileira começou a esquecer de onde veio. E no lugar disso, passou a repetir. Superfície lisa, poucos detalhes, materiais frios, uma estética que não diz nada sobre quem vive ali nem sobre o lugar onde está. Tudo funciona. Mas quase nada tem identidade.

O curioso é que não falta referência. A arquitetura brasileira sempre teve muitos elementos que não eram só bonitos, eram inteligentes. Os arcos criavam ritmo e suavizavam a passagem entre os espaços. Os telhados inclinados protegiam do calor e da chuva. Os beirais faziam sombra. Os cobogós deixavam o ar circular sem fechar o ambiente. As paredes mais espessas mantinham o espaço mais fresco. Nada disso estava ali por acaso.

A madeira envelhecia bem, trazia aconchego e tornava o espaço mais próximo de quem vivia nele. O ladrilho cerâmico tinha desenho, tinha presença, não era só um piso qualquer. Os detalhes nas construções mostravam que acabamento importava. E os elementos iam passando de uma construção para outra, sendo adaptados, mantidos vivos.

Tudo isso foi sendo trocado por soluções mais rápidas e mais baratas. E a gente passou a chamar isso de modernidade. O problema não foi o modernismo em si, foi a versão empobrecida que chegou para a maioria: laje plana, fachada sem espessura, janela de alumínio, nenhuma relação com o lugar onde a construção está.

Resgatar esses elementos não é sobre voltar ao passado, é sobre ter espaços que fazem sentido, que têm identidade, que parecem ter sido feitos para aquele lugar e para quem vive nele. Talvez o problema não seja o que a arquitetura brasileira já foi, mas o quanto a gente se acostumou com o que ela virou.